ARTIGOS

13 MAI 2011

Mídia, Violência e Segurança Pública

MÍDIA, VIOLÊNCIA E SEGURANÇA PÚBLICA

A violência faz parte do dia-a-dia da nossa sociedade, porém, o que não pode nem deve ocorrer é a sensação de que a violência seja algo normal no seio social. Embora considerada como um fenômeno social e que onde houver sociedade haverá crime, a violência não deve ser idolatrada pela mídia sob pena de haver uma potencialização dos seus efeitos e a criação de uma “normose” que culmina com a conclusão de que não existe solução para a crise da segurança pública.

O contato entre a mídia e as instituições de segurança pública deve ocorrer através de setores específicos de comunicação social e essa prática ser reforçada e estimulada pelos gestores. Esses setores específicos de comunicação social devem ter em sua equipe profissionais da área e serem responsáveis pelo repasse de informações para a mídia e pela orientação de outros servidores que irão conceder entrevistas, devendo haver normatização própria, estabelecendo procedimentos antecipadamente, em homenagem, também, ao princípio da legalidade administrativa.

A imprensa em geral já está bem “alimentada” de notícias de cunho violento. Os fatos violentos não são inventados pela mídia, entretanto, há uma leitura exagerada e comercial, que prestigia a espetacularização dos dramas sociais, de modo a prover um amplo e rentável segmento social que tende à morbidez. É nesse contexto caótico, que sempre tem as instituições de segurança pública como um dos atores, seja no fato propriamente dito, em razão da repressão efetivada por estas instituições, seja pela investigação deles decorrentes, que se vincula, até de forma inconsciente, as instituições de segurança pública à violência. Em síntese, onde houver um fato violento, lá estará um profissional de segurança pública.

Porém, se a intenção é promover uma agenda positiva para as instituições de segurança pública, cabe a elas “municiar” (o verbo foi intencional) a mídia com informações de atividades que prezam pelo lado bom da sociedade, ou seja, mostrar que, de fato, há uma luz no fim do túnel, e que aquele segmento estigmatizado tem iniciativas que buscam o resgate dos valores sociais hoje tão esmaecidos pela enxurrada da violência, tão idolatrada por alguns segmentos da mídia. Teremos que mostrar as iniciativas que estão dando certo, mostrar os acertos, não deixando que os percalços (que sempre irão ocorrer) sejam maiores que as vitórias, fazer um verdadeiro marketing institucional “formiguinha” junto à mídia.

As grandes corporações privadas investem cifras extraordinárias em propaganda e marketing, mesmo aquelas consagradas ainda o fazem. E por que será? Parafraseando uma campanha de refrigerante, respondo: IMAGEM É TUDO!

Quando a mídia idolatra a violência, de forma direta ou indireta, induz a conclusão de que as instituições de segurança pública falham em seu mister. Entretanto, as instituições de segurança pública são formadas por pessoas, que são diretamente atingidas pela condenação social reflexa da conclusão induzida pela mídia. Como conseqüência, a autoestima desses profissionais fica combalida o que se reflete na sua atuação, que se torna mais “fria” e divorciada de um primado pela excelência, já que a mídia e a sociedade não sopesam as circunstâncias, não individualizam condutas, não reconhecem o seu esforço, a dignidade e importância de sua atividade. Por fim, em razão da intensa reprovação ocorre o descompromisso com a sociedade, o que só torna o julgamento midiático e social mais ferrenho e preconceituoso. E quando ocorrem novas falhas, o ciclo se repete.

A mídia cria um ciclo vicioso na atuação do profissional de segurança pública que, se não for revertido, com uma atuação justa e responsável pelos profissionais da imprensa, leva à estagnação nas instituições de segurança pública e ao caos social.

Da mesma forma que tem que haver uma mobilização institucional voltada para o enaltecimento das virtudes das instituições de segurança pública, essa idéia tem que ser multiplicada para o profissional que trabalha diretamente com o público, pois, é nessa atuação que chamo de “formiguinha”, que gradativamente a imagem da instituição começa a ser remodelada. A presteza, a probidade, a urbanidade e outros valores humanísticos fundamentais devem servir de bússola para uma instituição que sabe aonde quer chegar. A energia, não pode ser esquecida, pois, instituições que zelam pela ordem pública não podem ser fracas. Mas, não se confunda energia com violência! Esta é decorrente do despreparo, a outra da boa técnica profissional. A violência é conseqüência das paixões humanas a energia, da imparcialidade do técnico da segurança pública.

Quando a sociedade, reconhecer em cada profissional de segurança pública um modelo de cidadão a seguir, um paradigma social, o fortalecimento da instituição será imediato. Essa mudança só é possível com o engajamento de uma parcela significativa dos profissionais de segurança pública.

Um excelente motivador para essa mobilização é que reconhecimento social do valor das instituições de segurança pública está intimamente ligado à remuneração e à imagem social dos seus membros. Se queremos colher os frutos, antes devemos plantar as sementes. E lembremos que o quanto antes plantarmos, mais breve será a colheita!

Não esperemos reconhecimento social sem uma prestação de serviço excelente!

Rio de Janeiro, 19 de agosto de 2008.

CRISTIANO MORAES DA SILVA

Policial Rodoviário Federal

Corregedor Regional da 5ª SRPRF/RJ

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